Uma forma doce de demostrar amor

Li uma reportagem muito emocionante no site LeiteCondensado.com e resolvi compartilhar alguns trechos com vocês.

“…Na verdade, foi da tradição portuguesa que herdamos essa preferência pelo doce. O índio e o africano pouco contribuíram para a arte da doçaria no Brasil. Pelo que se sabe, um e outro não traziam, em sua cultura, o hábito do consumo de doces. Já não se dava o mesmo com os portugueses, que amavam doces bem doces, influência da cultura árabe. Da Ilha da Madeira troxeram para cá a cana-de-açucar, acolhida com prazer por nossa terra tropical. Bom motivo para jovem nação crescer amando os doces.
Na fazenda do nordeste açucareiro as iguarias doces se enriqueciam com os futuros da terra, ganhando novos temperos e perfumes, pela mãos habilidosas das cozinheiras.
Enquanto isso, outros doces produziam-se em segredo no silêncio dos coventos. As monjas portuguesas trouxeram para estas remotas paragens a secular herança de sua terra natal e, com os produtos da terra, reinventaram insuspeitados requintes.
Depois, em algum momento perdido na história, essas duas vertentes se cruzaram. A culinária doce passou a fazer parte da vida das senhoras da casa colonial, criando a expressão para seus sentimentos e sua arte.
No início do século passado oferecer doces como presente já era uma tradição: as senhoras entravam na cozinha para confeccionar deliciosos e delicados presentes envoltos em clima secreto de misteriosas receitas passadas de mãe pra filha, aprendizado indispensável de vida.
Donzelas e jovens senhoras embalavam em papel delicadamente recortado os apetitosos docinhos que suas mãos elaboravam. Assim a mulher se expressava, assim ela se integrava na vida social. Levava o calor de sua cozinha e o carinho de suas mãos para a família, os amigos, os parentes, um eventual namorado. Tomava forma a linguagem do doce, cheia de significados e sentimentos. Mesmo nas cidades grandes, era um requintado dever de cordialidade enviar às amigas mais queridas uma bandeja forrada de doce, de preferência acomodados em finas porcelanas. E não deixava de ser uma excelente oportunidade para exibir os dotes culinários tão intensamente cultivados.
Preparados pela dona-de-casa, o doce devia sempre ser feito em casa.
Quase como um ritual secreto cada doce levava em sua receita uma marca especial passada de geração em geração.”

Published in: on março 23, 2010 at 11:38 am  Deixe um comentário  
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